Pandemia de lives: A Serra Pelada do showbiz nacional

Publicado em 21/04/2020

Dias atrás, a exibição de um show ao vivo da dupla César Menotti e Fabiano, realizada e postada no Youtube, foi ‘derrubada’ pela plataforma por conta de comerciais e inserções publicitárias exibidas ao longo do “show’. Fato que causou espanto de alguns e uma enxurrada de comentários, ações e posts como esse aqui.

Em meio as preocupações geradas pela COVID-19, uma nova forma de se entreter explodiu. São as tão comentadas lives.  Ainda que focada em minimizar os impactos da quarentena, seja por conta do tédio ou arrecadações a quem precisa, elas são hoje motivos de discussões e não se pode nem dizer que é conversa de botequim, pois eles estão fechados ou deveriam estar.

Esse formato antes despretensioso, ganhou em sofisticação e audiência tornando esse universo do quem sabe faz ao vivo, uma nova serra pelada do showbiz brasileiro, onde tem muito ouro para ser explorado. É live para todo lado, uma pandemia de lives. 

Artistas estão arrecadando milhões em uma única transmissão. Faça as contas, o cachê dos artistas ‘top 10’ do Brasil gira em torno de 450 a 600 mil por show. Se com as turnês há custos proporcionais, com as lives é totalmente ao contrário. A estrutura (na maioria dos casos) é enxuta, o lucro exorbitante e audiência que assusta até a Globo.

Aliás, a própria plin plin entrou de cabeça nesse garimpo com Ivete Sangalo e Roberto Carlos pensando no din din.

E nessa nova corrida pelo ouro, o garimpo está em plena atividade, dando resultados, mas o dono do terreno, no caso o Youtube, quer dizer, o Google, está querendo sua parte.

Muitos influenciadores construíram fortunas com as redes sociais, do Google e o Zuckemberg. No entanto, quem dita as regras são eles. Pense bem, o terreno é seu, logo você pode fazer o que quiser; inclusive alugá-lo com algumas regras, certo? Não concorda? Explique o porquê nos comentários. 

Se o dono do terreno quer sua parcela nos lucros, o CONAR (Conselho Nacional Auto-Regulamentação Publicitária) quer botar ordem no “showzinho” de quarentena e notificou o cantor Gusttavo Lima, o primeiro a fazer lives faraônicas, por conta de uma reclamação de um grupo de consumidores que achou o consumo excessivo de álcool ao longo da apresentação. Será que foi um grupo ou um aviso de cavalheiro?

Se é para o bem geral da nação, coloquem uma classificação indicativa e os pais que cuidem do que suas crianças estão o vendo; já os adultos podem escolher em não ver ou esticar os pés no sofá e beber a eterna saideira.

A live do show ‘Amigos’, com Zezé Di Camargo e Luciano, Chitãozinho e Xororó e Leonardo, adotou a medida e deixou a classificação indicativa de 18 anos na tela durante toda a apresentação.

Agora pense na dupla César César Menotti e Fabiano que nem bebe? Os caras têm até música onde assumem que preferem a bebida genuinamente brasileira: “Nóis bebe é guaraná, Nóis bebe é guaraná. Cachaça deixa de fogo e faz a gente brigar”.

Pacíficos que são, não entraram no embate e segundo o empresário da dupla, Pedro Mota, após a notificação do Yotube causada pelo “excesso” de comerciais, eles tiraram a live do ar por conta própria, apagaram os anunciantes e publicaram de novo, orientados pelo YouTube. #paz ou #pas

Por conta da alegação de que desconheciam as regras e diretrizes sobre publicidade, o Youtube fez uma reunião com empresários do ramo, produtoras e gravadoras para “explicarem” as regras do jogo.

Não sabemos o resultado, mas de acordo com o colunista Léo Dias, do portal UOL, e que está escrevendo a biografia de Gusttavo Lima, o artista e outros sertanejos se reuniram para criação de um aplicativo próprio, para que eles façam suas transmissões sem depender de nenhuma plataforma e seguirem suas próprias regras.

É justo, mas cabe algumas perguntas. Será de graça? Caso seja paga, qual o valor? O brasileiro pagará para ver uma live? Qual o diferencial? É possível acessar por uma Smartv? Enfim são perguntas que eles devem estar se fazendo ou já têm a resposta.

Ainda segundo o colunista, Anitta é a única artista de renome que não aceitou entrar no movimento e possivelmente está desenvolvendo seu projeto.

A solução parece ser migrar para um app pago focado em lives, algo como um Netflix das lives, uma plataforma onde você encontra shows, especiais e outros conteúdos dos artistas. Como se fosse um Youtube…..Entendeu o desafio?

Um ditado diz que quem chega primeiro bebe água limpa, será que ela já sujou ou no meio dessa pandemia ainda é possível garimpar novos formatos que possam valer mais que ouro?

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2 Comentários

  1. Maria do Carmo Torres

    Entendo que há excessos de e nas lives. Os comportamentos e intenções apresentados, deve ser muito por conta da fragilidade que as pessoas já apresentavam quando a vida corria “normalmente”, e com a pressão e opressão do confinamento, muitos perderam a não. Vejo que agora não é hora de se vender nada. Agora é hora de encararmos e enfrentarmos uma crise que é de todos. Desta forma, entendo que deve sim haver um espaço específico para os artistas que tiverem interesse em se promoverem. O que se tem visto nas lives, com raras excessões, é uma necessidade de exibicionismo, inutilidade e de uma imagem distorcida para uma figura pública.

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    • Virei Notícia

      Maria do Carmo, tudo bem? Obrigado pelo comentário e exposição de ideias.
      Mate nossa curiosidade, como chegou até nós?

      Responder

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